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O crime Enviar por e-mail
Literatura - Contos - Ficção

Escrito por Janderson Lacerda
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Sex, 27 de Fevereiro de 2009 16:57
Ás seis horas da manhã o dispositivo soa, Ribamar dá um pulo da cama e sacode sua esposa: -Acorda mulher! Acorda Mulher!

O que foi Ribamar? O que foi? Não me diga que você... Sim não tive como evitar, aconteceu!

Os dois saltam da cama e a mulher apressada diz: - Você precisa ir, Ribamar, antes que a policia chegue. Mas não posso deixar você e as crianças... No impasse da discussão e na indecisão de ambos, a porta é violentamente arrombada.

- Não dá mais tempo alega a mulher, - só nos resta agora pedir para que Deus olhe por nós... Antes que a mulher concluísse sua frase, os agentes invadem o quarto e dão voz de prisão ao pobre casal.

Ribamar levanta as mãos e pedi para que os policiais não levem sua esposa. – Ela não tem nada haver com isso, o culpado sou eu.

Os agentes ignoram o apelo de Ribamar e apenas dizem em forma de coro. – Você tem o direito de permanecerem calados, tudo o que disserem poderá e será usado contra vocês no tribunal.

Mesmo algemados, a mulher tenta abraçar Ribamar, mas não consegue. O casal por fim é conduzido a delegacia do bairro para prestarem depoimento. A mulher em poucas horas é liberada, pois não havia provas suficientes para incriminá-la.

Alguns dias depois do ocorrido, Ribamar continuava encarcerado. A mulher conseguirá a ajuda de um advogado, que aceitou o caso por pena da situação da pobre família. O advogado não era do estado, trabalhava em um escritório particular no centro da cidade. Era amigo de um vizinho do casal e fora indicado pelo mesmo. Ao conhecer a lastimável situação da família sensibilizou-se e decidiu a ajudar sem cobrar honorário. Afinal Ribamar estava desempregado, assim como a mulher e ambos só tinham estudado até a terceira série do ensino fundamental 1 e tinham cinco filhos, sendo um recém nascido.

Na primeira visita do advogado a Ribamar e antes mesmo de indagá-lo a cerca da acusação ele diz. – Sua situação é muito grave! Não posso lhe prometer nada. Você sabe muito bem que em nosso país a lei é muito rigorosa, para tais infrações.

Ribamar com lagrimas nos olhos responde. – Mas será que nem mesmo redução de pena, doutor? Como disse Ribamar, não posso lhe prometer nada!

A mulher permanecia na porta da delegacia com dois dos cincos filhos, aguardando uma boa noticia, quem sabe?

Dias, meses se passaram até que chegou o julgamento. Ribamar permanecia diante do tribunal pálido, suas mãos suavam frio o tempo todo.

O promotor não se intimidava com os argumentos do advogado. E alegava que Ribamar além de ter infligido a lei com plena consciência, era um risco para a sociedade. Pois ele poderia até cometer um homicídio (se é que não estava planejando) para alcançar seus objetivos e sonhos, que eram planejados maquiavelicamente todas as noites.

Realmente a situação foi se complicando ainda mais para o pobre homem, de tal maneira que ele sequer conseguia falar quando era questionado pelo juiz. Por fim e depois de seis horas, o magistrado solicita que todos fiquem em pé, para que a sentença seja lida. Ribamar com dificuldades levanta-se. E o Juiz então lê: - Ribamar de Oliveira Silva Souza de acordo com os altos, declaro que você é culpado e condenado a trintas anos de reclusão por praticar o crime de sonhar com uma vida melhor para você e sua família.

Inevitavelmente as lagrimas rolam pela face de Ribamar, que sai acompanhado pelos policiais sem olhar para sua esposa que permanecia estática no chão.

Artigo 30, fica extremamente proibido um cidadão de classe baixa ou seja pobre, sonhar com educação de qualidade, saúde pública e direitos iguais para todos. Parágrafo único: Fica imultávelmente proibido sem nenhuma restrição ou ressalva qualquer cidadão de classe baixa ou seja pobre ou miserável, sonhar com um futuro melhor para si próprio ou para sua família.



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O crime
Sex, 27 de Fevereiro de 2009

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Última atualização em Dom, 01 de Março de 2009 04:37
 
Comentários (4)
  • PolianaRodrigues
    avatar
    Adorei!! É hipnotizante e traz um final surpreendente e ao mesmo tempo chocante. Parabéns.
  • Janderson Lacerda
    avatar
    Muito obrigado por ler e comentar meu trabalho! Um fraterno abraço.
  • tania_martins
    avatar
    Parabéns! Muito bom.
  • Cilas_Medi
    avatar
    Chocante. Ficção verdadeira. Só basta escrever a lei, porque ela já existe, ao contrário das que estão na lei e não são obedecidas ou implementadas. Estrelado! Parabéns!
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